Deixo-vos este texto interessante de José César das Neves (comentário de 20/09/09 no
DN):
"Acaba de sair a edição portuguesa de um dos livros mais reveladores do nosso tempo. (...)
(Intelectuais, Guerra & Paz, Lisboa, 2009).(...)
A obra consta apenas de doze pequenas biografias, (...). Johnson mostra à evidência como os intelectuais que inspiraram o mundo contemporâneo foram terríveis patifes na sua vida privada.
A lista é impressionante. Jean-Jacques Rousseau, Karl Marx, Bertrand Russell e Jean-Paul Sartre, entre outros, aparecem culpados dos comportamentos mais infames, (...)
Todos estes pensadores colocaram uma ideia abstracta acima da vida real daqueles que os rodeavam. A sua teoria, o seu génio, eram superiores a parentes, amigos, honestidade, honradez, decoro, simples decência. Esta é a origem do crime. E da obra. Em todos os relatos surge sucessivamente um mesmo tema: o amor à humanidade. É notável como todos estes grandes autores estão apaixonados pelo género humano. Mas o ideal abstracto acompanha um profundo desprezo pelas pessoas concretas que os rodeiam. Amam a humanidade e abominam a gente.
Um caso exemplar é Rousseau, profeta inspirador da cultura moderna. (...). Entre muitos temas, o filósofo francês debruçou-se em vários das suas obras sobre a importância decisiva da educação das crianças, apresentando visões inovadoras, sobretudo no tratado Émile, ou De l'éducation (1762), considerado um dos grandes textos primitivos sobre o tema. Vale a pena saber que ele abandonou na miséria os filhos que teve das suas múltiplas amantes, nunca assumindo a responsabilidade por qualquer deles.
Vivemos num tempo que colocou ideais acima das pessoas. "
Para lêr o texto na íntegra, aqui.